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A agricultura familiar, como forma de garantir a produção agrícola, gerida por uma família com base em mão-de-obra familiar não assalariada, tem um papel fundamental nas zonas rurais. Das 570 milhões de explorações agrícolas do mundo, mais de 500 milhões são explorações familiares. Em Portugal, a agricultura familiar representa 96% das cerca de 280 mil explorações existentes no continente. Diversos projetos e modelos de desenvolvimento da agricultura familiar consideram a agricultura biológica como elemento chave para a sua implementação, com impacto direto no aumento do rendimento das famílias.

A adoção da agricultura biológica, assente em princípios como alimentar o solo para nutrir a planta, otimizar os ciclos de nutrientes ou manter relações de proximidade com o mercado permitirá aos agricultores familiares incorporar uma tecnologia inovadora que visa a produção de alimentos mais saudáveis e de melhor qualidade, sem recurso a produtos químicos de síntese nem organismos geneticamente modificados, em simultâneo com a redução de impactos ambientais negativos.

A identificação dos procedimentos técnicos e tecnológicos, adotados nas explorações familiares, permite identificar as semelhanças (proximidade) com o modelo de itinerário técnico teórico adotado em agricultura biológica e os constrangimentos técnicos, económicos e sociais à transição para a agricultura biológica. Este conhecimento contribuirá para a conceção de um modelo de intervenção, a nível técnico e social, e para a definição de estratégias e políticas, regionais ou nacionais, que promovam a adoção deste modo de produção por agricultores familiares.

Os procedimentos técnicos e tecnológicos adotados nas explorações familiares e as caraterísticas sociais e demográficas dos agricultores serão identificados através da administração indireta de questionários com perguntas de resposta fechadas, algumas das quais sob a forma de checklist de resposta múltipla. Precede a esta operação de inquirição, a recolha de informação qualitativa com base em entrevistas coletivas, sob a forma de grupos focais, onde se pretende explorar procedimentos técnicos e tecnológicos adotados em agricultura familiar, bem como obstáculos e resistências às práticas de agricultura biológica e atitudes e comportamentos passíveis de serem mais consensuais para incitar à mudança de práticas. Paralelamente, um estudo de caso, baseado na metodologia “Lean”, permitirá conhecer na realidade as práticas, atitudes e comportamentos sinalizados no grupo focal. A investigação culminará com a validação de um conjunto de recomendações, ao nível das orientações de políticas públicas locais e regionais, junto dos atores chave, incluindo os participantes no grupo focal, que permitam alcançar modos de produção mais sustentáveis e saudáveis através da mudança de práticas agrícolas e da adoção da agricultura biológica pelos agricultores familiares.

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